Análise do Poema "Felicidade" de Nise Campos
O poema é composto por duas
estrofes, cada uma rica em imagens sensoriais e símbolos da natureza. A
estrutura do poema, com versos livres e ritmo suave, contribui para a sensação
de tranquilidade e desejo de harmonia que permeia todo o texto. A felicidade,
personificada como uma entidade convidada a participar da vida do eu lírico, é
o tema central. O convite feito à felicidade é reforçado pela repetição da
palavra "vem", que abre e permeia as estrofes, sugerindo uma urgência
suave, um anseio profundo por alegria e plenitude.
Nise Campos utiliza uma série de
imagens da natureza para criar um ambiente de serenidade e beleza — "Em
meu jardim já se abriram rosas" sugere a prontidão do ambiente para
receber a felicidade, com a primavera simbolizando renovação e novos começos; —
“O céu distante se vestiu de azul" e "As manhãs são frias em sua
luz tão doce!" ampliam a sensação de calma e paz.
Os elementos naturais simbolizam
diferentes aspectos da felicidade e do desejo de união com a natureza — Rosas e
colibris representam beleza, delicadeza e a efemeridade da vida; — Orvalho,
fonte, e ocasos pintam um quadro de preciosidade e transitoriedade, onde a
felicidade é algo precioso e fugaz.
O poema também revela um
contraste entre o mundo interior do eu lírico e o esplendor do mundo exterior —
"Em minha alma, só pranto e cisma" contrasta com "fora jorram
turbilhões de luz!", indicando um estado interno de tristeza e
reflexão em oposição à beleza exuberante do mundo natural; — Este contraste
intensifica o anseio por felicidade, destacando a discrepância entre o desejo
interno e a realidade externa.
Escrito em 1934, o poema surge em
um período de grandes transformações globais e pessoais. A busca pela
felicidade em meio à incerteza reflete um desejo universal que permanece
relevante até hoje. Em 1984, cinquenta anos depois, o poema foi relembrado, talvez
por um novo contexto histórico que novamente fez ressoar a necessidade de
buscar beleza e felicidade em tempos difíceis. Em 2024, noventa anos depois, a
obra de Nise Campos continua a encontrar ressonância, demonstrando que os
anseios humanos básicos permanecem inalterados pelo tempo.
A durabilidade e relevância do
poema podem ser atribuídas à sua capacidade de capturar uma verdade emocional
fundamental: a busca incessante pela felicidade, a apreciação da beleza natural
e o contraste entre o mundo interno e externo. Através de suas imagens vívidas
e sentimentos profundos, "Felicidade" de Nise Campos se torna um
testemunho eterno da condição humana.
A beleza e a profundidade do
poema "Felicidade" garantem que ele permaneça relevante e tocante,
independentemente da época. Através de suas imagens poéticas e símbolos
naturais, Nise Campos capturou uma essência da experiência humana que continua
a ressoar, fazendo com que sua obra seja continuamente lembrada e apreciada.
Acervo: Shorpy