sexta-feira, fevereiro 22, 2019

APENAS UM ANJO!

Ramon MARRA*

Eu tenho um anjo que me conforta, e que me ilumina.

Eu tenho um anjo que sabe quem sou eu e que mesmo assim se permite ser meu amigo.

Eu tenho um anjo, que sabe os meus sonhos, desejos, que me protege, que me guarda e, quando precisa me repreende sutilmente com sinais inefáveis.

Eu tenho um anjo que está comigo vislumbrando a minha existência.

Que diante dos meus pensamentos exacerbados me aquieta, que diante da minha pequenez me agiganta, diante da minha vaidade, me repreende, diante das minhas inquietudes me mostra o caminho.

Eu tenho um anjo, que me conduz na busca da utilidade, que faz da minha existência, possibilidades para vislumbrar o meu existir.

Um anjo que faz das minhas incompreensões, alimento para construção do meu saber.
Um anjo que diante das grandezas de almas vazias, me modera com a lucidez das pequenas coisas.

Mas acima de tudo, um anjo que deseja a plenitude existencial, para que dela eu possa usufruir e compartilhar com toda a humanidade.

Esse anjo é o amor incondicional do Criador para a sua criatura.

Esse anjo é a luz que brilha sempre em frente, nos mostrando que o PASSADO não existe mais, exceto, para ser referência no aqui e agora, onde todos vivemos este PRESENTE, para que, construindo algo novo, possamos chamá-lo de AMANHÃ.

Um anjo, apenas um!!!

Permita-se !!





*Pós-Graduação em Psicopedagogia  
Acervo: Shorpy
Organização: Charles Aquino

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

CARNAVAL ITAÚNA: DEMORÔ

DEMORÔ

“A grata surpresa do carnaval itaunense. O Bloco veio de Santanense, pela sua primeira vez, deu o seu recado, todo mundo cantou o seu samba, bem organizado na rua e não tenha dúvidas se os líderes de lá quiserem no próximo ano poderá surgir uma Escola de Samba que vai dar trabalho. ”

Jornal Folha do Oeste
Reportagem Cosme Silva
Itaúna, sábado 23 de fevereiro de 1980









" Com a dignidade de Mestre-Sala e Porta-Bandeira ..."





Referências:
Organização e Pesquisa: Charles Aquino
Acervo: Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira Icmc - Jornal Folha do Oeste, Itaúna 1980.
Acervo Fotografias: Temo Santos, Maria Madalena Silva, Marisa Gonçalves de Sousa

domingo, fevereiro 17, 2019

AVENIDA JOVES SOARES

 Lei Municipal 0214/53 - CEP: 35680-346 e 35680-352
Denomina logradouro público: Av. Jove Soares / Centro,Graça, Pio XII

LEI Nº 214, de 29 de dezembro de 1953
Denomina avenida marginal ao Córrego da Praia...
O Povo do Município de Itaúna, por seus representantes, decreta e eu, em seu nome, sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Denominar-se-á CEL. JOVE SOARES a avenida marginal do Córrego da Praia.
Art. 2º Revogadas as disposições em contrário, esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.
Mando, portanto, a todas autoridades, a quem o conhecimento desta Lei pertencer, que a cumpram e a façam cumprir tão integralmente como nela se contém e declara.

Prefeitura Municipal de Itaúna, 29 de dezembro de 1953
Dr. Victor Gonçalves de Souza - Prefeito Municipal
Antônio Orlando Botelho Nogueira - Secretário


BIOGRAFIA


Ombro alto, magro, 1,75 de altura, cenho carregado, cabelos ralos e grisalhos, barba e bigode feitos, lúcido e jovial, aos 85 anos de idade, andava o Cel. Jove Soares Nogueira teso e desempenado como um moço.

Nascera aqui mesmo na fazenda das Três Barras, quando Sant'Ana do Rio São João Acima era distrito da cidade de Pitangui, em 8 de julho de 1868, na quadra mais tormentosa da guerra do Paraguai, entre as batalhas de Humaitá e Itororó.

Era filho de Firmino Francisco Soares, de Jaguaruna, hoje Onça de Pitangui, e de Fabiana Nogueira Duarte, filha caçula do velho Manoel Ribeiro de Camargos, da fazenda da Vargem da olaria, um dos turunas da sua época, nos tempos de Santana.

Aos 26 anos de idade, isto é, em 25 de agosto de 1894, casara-se com sua prima Augusta Gonçalves Nogueira, uma garota de 16 anos , viva e bonita, inteligente e prendada, filha primogênita de Josias Nogueira Machado, que lhe enfeitiçou a vida e lhe infundiu animo e força de vontade para trabalhar como um gigante, criar uma família de onze filhos, dar a estes educação e estudo nos melhores colégios, deixando a todos, tranquilo e orgulhoso de sua obra, o amparo de uma dignificante educação moral e cívica, de uma boa cultura e de regular fortuna. No tempo de sua mocidade, fora sobretudo boiadeiro.

Não era do tipo desgracioso, desengonçado e torto da personagem de Euclides da Cunha, mas possuía em toda a sua plenitude a tenacidade, a bravura e a fortaleza do sertanejo.

Não possuía o hábito de se recostar, quando parado, ao primeiro umbral ou à parede que encontrasse; nem cair de cócoras sobre os calcanhares; nem o de descansar sobre   os estribos, quando sofreava o animal, pra trocar duas palavras com um conhecido. Era um sertanejo um tanto quanto civilizado, sem chapéu de abas largas, de vestimenta comum, com muita compostura nos gestos e nas palavras.

Impulsionado pela fibra inata, deste meninote se acostumou a varar os sertões. Acompanhado do criolo Hortêncio, ou do preto Paulino, ou do seu primo Versol, ombro alto, relho de cabo de peroba à mão, tronco pendido para frente e oscilando à feição do trote de seus surrados cavalos, desferrados e tristonhos, rumava para Goiás, por trilhos, veredas e estradas quase intransitáveis, em busca de gado.

 Sem saber nadar, vadeava rios caudalosos agarrado à cauda de seu animal. Isto numa era em que não existia nem o avião, nem o automóvel e nem o rádio. Levava três meses tangendo vagarosamente, daquelas brenhas longínquas para Santana, o gado bravio e chucro ali adquirido. Ora cantarolava em surdina atrás daquela mole ondulante toada de senzala; ora afundava nas caatingas garranchentas colado a um garrote arribado e esquivo; ora lutava loucamente para conter o estouro da boiada.

Em casa, só ficava o tempo necessário à engorda do gado invernado nas suas fazendas da Bagagem, das Três Barras e do Pedro Gomes.

Se não lhe aparecesse comprado à porta, com a mesma fibra e tenacidade, punha o gado gordo em marcha e ia vende-lo à charqueada de Santa Cruz, ou abatê-lo em Niterói, no Estado do Rio, outra tirada de mais de seiscentos quilômetros no lombo de seus célebres cavalos.

Tinha apenas o conhecimento das primeiras letras; mas, inteligente e cônscio disso, sabia porta-se com compostura, nas reuniões mais seletas. Trazia sempre pronta uma verve de ironia para os pomadistas, para os pelintras e para os metidos a sabichões. Bom palrador, deliciava-se com uma boa prosa, simples ou picante. Pouco crédulo, desconfiado e sem respeito humano, nunca se deixou apanhar por espertalhões. Estava sempre a par do que ia pelo mundo, através da leitura dos jornais, no que era um viciado. Não fumava, não bebia e não jogava, mas em compensação fora um emérito galanteador, fino e respeitoso.

Na luta pelo direito, era um obstinado; demandista, ferrenho, porém leal. Chegara até a demandar, em pleitos memoráveis, na repulsa daquilo que julgava intolerável injustiça, com um irmão amado e com o vigário João Ferreira Álvares da Silva. Era visceralmente econômico. Dava ao dinheiro extraordinário valor, talvez pelas canseiras do trabalho honrado e duro em adquiri-lo e por possuir no mais alto grau o senso da previdência. 

Depois dos quarenta e dois anos, convidado respectivamente pelos amigos Dr. Augusto Gonçalves de Souza, Cel. João de Cerqueira Lima, Dr. Cristiano França Teixeira Guimarães, e Dr. Tomas de Andrade, fundara com os mesmos, em maio de 1911, a Companhia Industrial Itaunense, e em janeiro de 1923 o Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais, S.A., de que fora grande entusiasta e onde invertia invariavelmente as suas economias na compra de suas ações.

Com o falecimento do Cel. Antônio Pereira de Matos, ocorrido em 27 de fevereiro de 1926, fora eleito diretor secretário da Itaunense , posto em que se manteve pela consideração de seus amigos até o fim de sua vida.

Nunca fora forte em política.  Mas vangloriava-se em tom de caçoada, em poder contar, em qualquer emergência, com dois votos seguros: o da Galinha Gorda, seu rendeiro da fazenda da Bagagem, e o do Antônio Luiz, seu sobrinho por afinidade. Mas, mesmo assim , foi vereador à primeira Câmara Municipal de Itaúna , em 1902 , mandato que lhe foi renovado até 1916; e foi Conselheiro Municipal  em 1932 e 1936.

Enviuvou-se em 14 de maio de 1935. E venerou a memória de sua esposa querida até o último alento. Todas as tardes, ao pôr do sol, em casa ou em qualquer lugar em que estivesse, voltava-se em espírito e coração pra o local onde jazia a amada, guardando uns minutos de silêncio, rezando baixinho, ou balbuciando coisas ininteligíveis, como a confidenciar com alguém de muita estima e respeito.

Falecera em 17 de novembro de 1953. Fora um bravo até para morrer. Se lhe fosse possível vencer a morte, ele a venceria, porque com ela disputava palmo a palmo, conscientemente, bravamente, o direito de viver um pouco mais, contendo, inúmeras de suas tremendas investidas, contrariando todos os prognósticos dos médicos assistentes, até tombar inconsciente, debaixo de seus inexoráveis tentáculos.






REFERÊNCIAS:
Pesquisa: Charles Aquino, Patrícia Gonçalves Nogueira.
Organização & Fotografia: Charles Aquino
Biografia: Mário Soares
Projeto de Lei dos Logradouros: Prefeitura Municipal de Itaúna
Fonte: Revista Acaiaca nº 56, org. Celso Brant,1952, p.28,29,30,31.
Acervo: Instituto Cultural  Maria de Castro Nogueira - ICMC



MONUMENTO SENHORA APARECIDA


Endereço: Av. Dr. Miguel Augusto Gonçalves, 1856 - Santanense, Itaúna - MG, 35681-147

NOSSA SENHORA APARECIDA
Ano de 1965

Itaúna teve a grande honra de receber festivamente a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. No trevo de Divinópolis e Pará de Minas a imagem foi recebida pelos itaunenses em seus carros, que ultrapassava o número de cem.

No trevo de Santanense foi recebida pelas autoridades civis, militares e eclesiásticas, tendo à frente o Exmo. Sr. Bispo auxiliar de Belo Horizonte, Dom Serafim, Coronel José Geraldo e Comissão organizadora de Belo Horizonte.

No trevo de Itaúna foi recebida pelo Vigário, Comissão de Recepção, deputados Oscar Dias Corrêa e José Moreira, Vigário Geral Monsenhor Hilton Gonçalves de Souza, Tiro de Guerra 80, Colégios, Grupos Escolares, Irmandades, imensa massa humana e banda de música da polícia estadual.

Um artístico carro andor em forma de uma barca com pescadores dentro, foi ofertado pelos operários da Companhia Itaunense. Ao chegar da imagem milagrosa, realizou-se   uma oração nunca feita, todos acenderam as suas velas — um mar de luzes.

Sirene de todas as indústrias apitaram, fogos, repiques dos sinos das igrejas, vivas e o hino Nacional pela banda militar. Dom Macedo, Arcebispo auxiliar de Aparecida colocou a imagem em seu lugar no carro andor. Desde o trevo até a praça da matriz, foi um verdadeiro delírio da multidão.





Referência:
Organização e Fotografias: Charles Aquino
Livro Tombo II: Paróquia de Sant'Ana de Itaúna – 1948 a 1992, p. 75r, 75v, 76r, 76v.

sábado, fevereiro 16, 2019

BENIGNA CONSOLATRIX

A Itaunense-Bambuiense, Benigna Consolatrix Chagas Maia foi encontrada na porta do Hospital Manoel Gonçalves, em 1929 e, ao comemorar 90 anos no dia 10 de fevereiro de 2019, resgata o início de sua história em Itaúna.

Um conto de fadas da vida real! Uma menina é encontrada, em fevereiro de 1929, dentro de um cesto na porta da antiga Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira, em Itaúna. Tudo que havia dentro do cesto era um bilhete com os dizeres; “quero que minha filha se chame Benigna Consolatrix”. Do Latim antigo, “Suave Conforto”, ou do Bíblico, “O Bem que Conforta”.

A família Chagas, originária de Bambuí, no oeste mineiro, paciente no Hospital de Itaúna, prontamente adota a frágil criança que passa a viver naquela cidade sob o nome de Benigna Consolatrix Chagas, respeitando o pedido sôfrego traçado nas linhas daquele bilhete, único objeto que estabelecia relação com a verdadeira origem do bebê.

Ainda em Itaúna, na antiga capela da hoje em ruínas Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira, Benigna Consolatrix foi batizada, tendo como padrinhos o Dr. Dario Gonçalves de Souza, importante cidadão itaunense e patrono da Unidade SESI do município, que recebe seu nome, e como madrinha sua esposa, D. Judith Camardel Gonçalves, de tradicional família da capital mineira, como registrado em seu batistério. Seu enxoval de batismo foi o mesmo utilizado pelo filho de Dr. Dario, cuja veste Benigna Consolatriz ainda possui. Foi batizada às pressas, já que todos imaginaram que não sobreviveria.



Por volta de seus seis anos de idade, uma mulher, vinda de Itaúna, chega a Bambuí, acompanhada de outra criança de cerca de 4 anos, procurando por Benigna Consolatrix. A menina é encontrada e uma foto é feita, por um lambe-lambe da praça da cidade, onde as duas meninas aparecem lado a lado (imagem abaixo e anexo). Suspeita-se tratar-se da mãe biológica de Benigna e, porventura, que aquela outra criança fosse sua irmã.

Benigna Consolatrix, agora também Chagas, viveu, cresceu e se casou em Bambuí com Aníbal Maia Filho, gerando 7 filhos e 8 netos em mais de 55 anos de matrimônio.

Para comemorar seus 90 anos, a serem completados no próximo dia 10 de fevereiro de 2019, Benigna Consolatrix Chagas Maia e sua família decidiram visitar a origem dessa história familiar de tanto amor e afeto. Será realizada uma missa comemorativa na Matriz de Sant’Ana, em Itaúna, na manhã do domingo, dia 10 de fevereiro, às 10h, assim como visita às ruínas e ao Hospital Manoel Gonçalves, onde a menina foi adotada e batizada.




Resgata-se a própria história de Benigna e da cidade, evidenciando personagens fundamentais para a constituição do próprio município de Itaúna, além da promoção e enaltecimento, como utilidade pública, do ato da adoção.




Referências:
Acervo e Texto:  Cléber Maia e família
Acervo: Professor Marco Elísio Chaves Coutinho (In Memoriam)
Fotografia do Hospital em ruínas: Charles Aquino
Organização para o Site/Blog: Charles Aquino
SD

PRAÇA MONSENHOR HILTON

Lei Municipal 1840/85— CEP: 35680-568
Denomina logradouro público: Praça Monsenhor Hilton Gonçalves de Sousa / Vila Washington

O Povo do Município de Itaúna, por seus representantes decreta, e eu, em seu nome sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º — Denominar-se- á “MOSENHOR HILTON GONÇALVES DE SOUSA” a praça localizada na zona 10, na confluência das Ruas Palmeiras, Rua Avenca e Acácia, na Vila Washington.
Art. 2º — Revogadas as disposições em contrário, esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.



JUSTIFICATIVA

Monsenhor Hilton Gonçalves de Sousa

As comunidades da Vila Washington e bairro São Geraldo, como toda a cidade de Itaúna, querem preservar a memória desse grande itaunense, Monsenhor Hilton Gonçalves de Sousa.
Vigário da Paróquia de Santanense, por 14 anos, sempre teve grande estima para aquela comunidade do bairro. A igreja de São Geraldo, localizada na Vila Washington, obra que iniciou e quando estava para ser inaugurada, Deus o chamou para o seu convívio.
Esses senhores vereadores, são as razões que me leva a propor o presente projeto que representa a vontade do povo de Itaúna, especialmente daquelas comunidades que preservam a memória do Monsenhor Hilton.

Sala das Sessões, em 3 de junho de 1985
Walter Corradi — Vereador


Itaúna 20 de maio de 1985
Ao sr Walter Corradi
Vereador da Câmara Municipal de Itaúna
Prezado Senhor,
A Associação de Apoio Comunitário do Conjunto Habitacional do Bairro São Geraldo, vem por meio desta, sugerir que se dê o nome de Monsenhor Hilton à pracinha situada entre as ruas Palmeiras, Rua Avenca e Acácia, na Vila Washington.
Monsenhor Hilton, sempre teve grande estima pelo nosso povo e bairro, sendo muito querido por todos e esta seria uma forma de agradecer o muito que ele fez por nós.
Contando desde já com o seu apoio, subscrevo-lhe  
Atenciosamente,
Associação de Apoio Comunitário do Conjunto Habitacional São Geraldo
Lúcia Rodrigues Leite e Silva



Nomeio para relatar o presente projeto de lei nº 45/85, o nobre colega Geraldo Magela de Assis Oliveira.
Sala das Sessões em 11/06/1985
João José Joaquim de Oliveira — Presidente da Comissão de Justiça e redação

A apreciação do presente projeto de Lei que denomina logradouro público é de competência do legislativo e obedece às normas vigentes. É, portanto, legal e merece ser apreciado por esta Câmara.
Sala das Sessões em 11/06/1985
Geraldo Magela de Assis Oliveira — Relator
João José Joaquim de Oliveira — Presidente da Comissão de Justiça e redação
José Luiz Guimarães Filho — Membro


Nomeio o ilustre colega José Simonini Filho, para relatar o presente projeto de Lei .
Sala das Sessões em 11/06/1985
Osmando Pereira da Silva — Presidente da Comissão de Finanças e Orçamento

A Comissão de Finanças e Orçamento acha plenamente e justa esta homenagem que Itaúna presta a seu grande e atuante filho. Somos favoráveis a este projeto.

Sala das Sessões
Aprovado em 1ª discussão em 11/06/1985
Aprovado em 2ª discussão em 18/06/1985
Aprovado em 3ª discussão em 25/06/1985

José Simonini Filho — Relator
José Luiz Guimarães Filho — Membro
Milton Nogueira de Oliveira — Membro
José Coelho Neto — Presidente da Câmara
Geraldo Magela de Assis Oliveira — Secretário
Osmando Pereira da Silva — Presidente da Comissão
João José Joaquim de Oliveira — Presidente da Comissão de Justiça














REFERÊNCIAS:
Texto biográfico: Walter Corradi — Vereador
Organização e Elaboração: Charles Aquino.
Acervo: Marisa Gonçalves de Sousa
Acervo e Projetos de Leis dos Logradouros: Câmara Municipal de Itaúna.
Pesquisa: Charles Aquino, Patrícia Gonçalves Nogueira.
Correios CEP

RUA MONSENHOR HILTON

Lei Municipal 1870/85— CEP: 35681-232
Denomina logradouro público: Rua Monsenhor Hilton / Conjunto Habitacional Jadir Marinho de Faria


O Povo do Município de Itaúna, por seus representantes decreta, e eu, em seu nome sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º — As ruas do Conjunto Habitacional Jadir Marinho de Faria, Zona 08, terão as seguintes denominações:
[...] 03 – Monsenhor Hilton a rua que tem seu início na rua Prefeito Antônio Dornas, passando pelas quadras 18,24,25,26,27, 28 e terminando na rua Dona Sinhá.
Sala das Sessões, em 8 de outubro de 1985
João Viana da Fonseca — vereador


JUSTIFICATIVA

Monsenhor Hilton Gonçalves de Sousa 

Estamos em 1912, no último dia 31 de dezembro, nas despedidas do ano velho, que acena para o ano novo de 1913. Nos derradeiros momentos, quando todos festejam a passagem do ano, no velho casarão da Avenida Getúlio Vargas, Dona Custódia de Souza Moreira festeja de um modo todo peculiar, trazendo ao mundo mais um herdeiro, de uma prole numerosa de 15 filhos.

Seu pai, Virgílio Gonçalves de Souza Moreira o deixou muito cedo, com apenas 1 ano e 8 meses. São suas essas palavras: "Como seria bom, se eu pudesse ter conversado e discutido vários assuntos com meu pai".

Menino estudioso, inteligência brilhante, começou seus estudos no Grupo Escolar Dr. Augusto Gonçalves, surpreendeu por sua rara inteligência, ao ser alfabetizado antes dos sete anos, só porque ia à escola com sua irmã, professora, e lá ficava brincando embaixo da mesa. Gostava de trabalhar, nos momentos de folga escolar, no Armazém de seu cunhado Augusto Rodrigues, como também no Armazém de seu outro cunhado Cícero Franco. O menino Hilton transportava também, a correspondência dos correios, fazendo longas caminhadas.

Sentiu vocação para ser padre e, apoiado pela família, principalmente sua mãe e o então vigário Padre Cornélio Pinto da Fonseca. Foi estudar em Belo Horizonte, no Seminário do Coração Eucarístico de Jesus, pelos idos de 1925. Continuava bom aluno, obediente e aplicado. Sentindo, no entanto, dúvidas sobre sua vocação, pediu permissão à sua mãe, para se retirar do Seminário. Claro, essa sua decisão entristeceu muito aos seus familiares, mas foi aceita e respeitada. Fez opção pela carreira de professor indo lecionar em Sete Lagoas. Nessa época escreveu um romance ainda inédito intitulado "A Voz do Coração".

Sua mãe adoeceu e o fez voltar para Itaúna para fazer-lhe companhia nos últimos anos de sua vida. Passou a lecionar Português e Matemática na Escola Normal Oficial de Itaúna. Durante toda a sua vida gostou muito das coisas do campo e, seu tempo livre empregava-o como hortelão, cuidando de uma enorme horta no fundo da sua casa.
Pouco depois da morte de sua mãe, em 1936, o jovem Hilton sentiu novamente o chamado de Deus e, agora, sobe os degraus do Seminário muito mais firme, convicto da vocação e mais ligado à Deus. As dúvidas e as indecisões ficaram para trás. Padre Hilton viveu sua vida dedicada à Deus plenamente!

Seus estudos e orações foram coroados de êxito com sua ordenação em 1944, na Matriz de Sant'Anna, com uma grande festa. Teve por padrinhos seu irmão Manoel Gonçalves de Sousa e o Prefeito da cidade de Itaúna Dr. Lincoln Nogueira Machado. A cerimônia foi oficializada por sua Exº. Revmº. Dom Antônio dos Santos Cabral, Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte.

Veio trabalhar em sua cidade na Paróquia do Coração de Jesus de Santanense, onde seria sua última paróquia. Com seu dinamismo e disponibilidade, dedicou -se inteiramente ao serviço de Deus. Foi um percurso brilhante por suas realizações, tanto no campo espiritual, quanto no administrativo. Homem íntegro, com imensa capacidade de trabalho, sabia ser culto, sem ser pedante; polido, sem ser piegas; forte, sem ser autoritário; profundamente educado, sem ser bajulador.

No dia 20 de fevereiro de 1985 uma avalanche desabou sobre todos nós! Era o último dia de carnaval no Grêmio Paroquial de Santanense, a música tocava alegremente e os foliões dançavam despedindo-se do carnaval. E veio a notícia fulminante, que ninguém esperava ou acreditava:  Monsenhor Hilton morreu!

Foi uma morte rápida, como ele sempre desejou! E ele nos deixou! De um momento para o outro ficamos órfãos, perdemos nosso pai. Nunca vimos uma quarta-feira de cinzas tão cinza! O silêncio rolou pelas ruas, os soluços retumbavam, as lágrimas escorreram pelas faces das pessoas incrédulas, tristes, familiares, amigos, enfim, todos que tiveram o privilégio de usufruir de sua companhia e amizade. No momento de sua morte ele estava em sua casa à Rua Acácio Baeta nº 99 em Santanense, com sua sobrinha, quase filha, Marisa Gonçalves de Sousa.

No entanto, sua passagem, em nossa paróquia, nos trouxe imensos benefícios espirituais, já que era preocupadíssimo com suas ovelhas, as quais muito amava. Transmitia a fé e os ensinamentos como ninguém e trabalhou arduamente pelo reino de Deus. Eternamente continuará vivo em nossas lembranças e em nossos corações!





O presente projeto que ora apresentamos aos senhores vereadores dá denominação a logradouros públicos no conjunto habitacional Jadir Marino de Faria. Trata-se de ilustres itaunenses, cuja memórias não devem ser apagadas. Os serviços que prestaram a nossa terra, justificam nossa proposição e desejamos preservar a lembrança destas grandes personalidades.
Sala das Sessões, em 8 de outubro de 1985
José Coelho Neto — Presidente da Câmara

Nomeio relator o nobre colega Geraldo Magela de Assis Oliveira.
Sala das Sessões, 10 de outubro 1985
João José Joaquim de Oliveira — Presidente da Comissão
O presente Projeto de Lei nº 78/85, está em conformidade com a legislação vigente, competindo a esta Casa a sua apreciação

Sala das Sessões
Aprovado em 1ª discussão em 15/10/1985
Aprovado em 2ª discussão em 22/10/1985
Aprovado em 3ª discussão em 23/10/1985

José Simonini Filho — Relator
Milton Nogueira de Oliveira — Membro
José Coelho Neto — Presidente da Câmara
Geraldo Magela de Assis Oliveira — Secretário
Osmando Pereira da Silva — Presidente da Comissão
João José Joaquim de Oliveira — Presidente da Comissão de Justiça

A Comissão de Justiça e Redação nada tem a modificar na redação original do presente projeto de Lei n° 78/85.
Sala das Sessões, em 23 de outubro de 1985










REFERÊNCIAS:
Texto biográfico: Marisa Gonçalves de Sousa
Organização e Elaboração: Charles Aquino.
Acervo: Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira, Charles Aquino.
Fotografia: Antônio Gomes
Acervo e Projetos de Leis dos Logradouros: Câmara Municipal de Itaúna.
Pesquisa: Charles Aquino Patrícia Gonçalves Nogueira.

Correios CEP