terça-feira, dezembro 26, 2017

FELIZ ANO

Prof. Luiz MASCARENHAS*

  Outro dia, navegando pela Internet, deparei-me com um interessante texto, atribuído a Drummond: “Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão”. Contudo, ao verificar no site oficial do poeta Carlos Drummond de Andrade, constatei a inverdade: este escrito não é da autoria do mesmo. E isto acontece amiúde. Feitas estas considerações literárias, passemos ao cerne da questão: as fatias do tempo e a nossa existência espraiada sobre o mesmo.
No Livro do Eclesiastes podemos ler: “Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de planta e tempo de arrancar o que se plantou” (Ecl. 3:1,2). Assim se transcorre a nossa existência: feita de nossas próprias escolhas e que em dado momento, passamos a colher os frutos das mesmas; ora doces, ora amargos...
Ora, tudo no mundo em que vivemos é obra do pensamento humano. Ou seja, existe o mundo físico, real e o mundo dos significantes e significados que o próprio homem imaginou. Não estou aqui eximindo a ideia do Deus Onipotente e Criador de tudo, mas, milhares de questões foram resolvidas pelas interpretações, significados e simbolismos outorgados pelo próprio ser humano.
Uma dessas questões é o próprio tempo, sobre o qual falamos. Temos notícia de tentativas de medições e organização do tempo em calendários há milênios. No ano 46 a.C., Júlio César promoveu uma reforma do antigo calendário lunar e fixou o ano com 365 dias e 12 meses e este vigorou até o séc. XVI da Era Cristã. Por volta do ano de 1582, o Papa Gregório XIII reuniu um grupo de especialistas para corrigir o calendário juliano. O objetivo da mudança era fazer regressar o equinócio da primavera para o dia 21 de março e desfazer o erro de 10 dias existente na época. Trata-se do famoso calendário gregoriano, ainda utilizado por milhares de países até os dias que correm.
 Portanto, por entre números e datas e comemorações e efemérides, escoa a existência humana sobre a Terra. E o viver requer de nós esperanças. E ainda há os que vivem (pouquíssimos) e a imensa maioria que apenas sobrevive...
  Ao observar o burburinho, a correria, a afoiteza das pessoas nesta época – transeuntes do tempo e do espaço; assoberbados de “nada” e atarefados de grandes “vazios”; impõe-se a reflexão sobre o desafio de se estar vivo e de dotar esta vida de razões, de significados e a partir desta instrumentação ser capaz de sorrir, de amar, de sentir ou de apenas ver o vento passar...
Pois como diria Fernando Pessoa: “`as vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido ”.
         Feliz Ano! Novo ou velho, dependerá da acuidade de sua escolha e vontade.

*Professor, Historiador, Escritor / Da Academia Itaunense de Letras.


Acervo: Shorpy


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