Itaúna
perdeu, nos derradeiros dias de 1987, uma figura de valor. A professora e escritora Nise Campos era uma personalidade cativante, pela riqueza interior
que possuía e manifestava com simplicidade. Morreu esquecida.
A
sociedade capitalista em que vivemos só se lembra das pessoas que tenham
dinheiro e prestígio (enquanto os têm) ou estejam na idade de produzir e
consumir.
Nise
Álvares da Silva Campos nasceu em Itapecerica (MG), aos 6 de setembro de 1907.
Seus pais foram Inácio Álvares da Silva Campos, membro da Guarda Nacional do Império,
e Dona Luíza Álvares da Silva Contagem.
Fez
o curso primário na cidade de Pompéu e veio prosseguir os estudos na famosa
Escola Normal de Itaúna. Integrou a primeira turma de professoras aqui
formadas, em 1925. O quadro, com os retratos das quatorze formandas, encontra-se no Colégio Estadual.
A
jovem voltou a Pompéu, onde começou a lecionar, mas retornou a Itaúna, em 1930,
ano em que a Escola Normal foi oficializada. Aqui exerceu o magistério até a
aposentadoria no Grupo Escolar José Gonçalves de Melo. Ficou conhecida pela sua
competência e dedicação.
Fora
da escola, era muito procurada para aulas particulares, sobretudo de português.
Possuía algum dom para a música. Tocava bandolim. Em religião, era adepta do
espiritismo Kardecista. Participava com convicção das atividades filantrópicas e
religiosas do seu Centro Espirita. Mas não era sectária, nem proselitista.
Respeitava as opiniões diferentes da sua.
Desde
cedo manifestou dotes literários. Seu irmão, José Maria Álvares da Silva Campos, farmacêutico, era
também poeta. Muito nova ainda, Nise escreveu suas primeiras composições
poéticas. Em seus escritos sempre transparecia um espírito muito humano meditativo
e uma certa melancolia. Colaborou em diversos jornais itaunenses.
Por
ocasião da morte de Cotinha, uma pobre louca que andava pelas ruas, Nise
publicou uma crônica que bem representa o seu estilo. Tenho como seu mais belo
poema a “Ode ao Tempo”.
Às
vezes, aparecia uma outra face do seu espírito: uma moderada crença religiosa.
Este ceticismo está presente nos versos que escreveu, em 1934, sobre a
demolição da antiga Matriz de Sant’Ana de Itaúna. Eis a duas últimas estrofes:
“Espelho da vida! Imagem de minha
alma, sem santo, sem sino, sem altar ...”
Retribuindo
um cartão ao professor Márcio Auril, ela terminava assim:
“Sua velha e desiludida amiga, Nise”
E
acostumava visitá-la. Aproximava - se o Natal e lembrei-me de que era preciso
ir vê-la. Mas antes disso recebi a notícia de sua partida. Faleceu aos 18 de
dezembro, depois de uma longa e penosa enfermidade, que suportou com resignação
estoica.
Seus
escritos permanecem dispersos.
Referências:
Texto Professor Padre José Raimundo Batista Bechelaine. Data Nascimento: 12/02/1947, Local:
Carmo do Cajuru – MG. Pais: Nagm Antônio Bechelaine e Maria Batista Bechelaine.
Data Ordenação: 01/05/1974. Local: Matriz Sant’Ana – Itaúna – MG. Bispo
Ordenante: Dom Cristiano Frederico Portela de Araújo Pena.
FONTE IMPRESSA: Jornal Brexó, pág.2, 1988.
Organização:
Charles Aquino