domingo, agosto 20, 2017

MEMORIAL PROFESSORA GRACIANA



Graciana Coura de Miranda nasceu em Rio Casca/MG, em 31 de março de 1914.
Fez o curso primário em São Domingos do Prata/MG, para onde sua família se mudou em 1917, no Grupo Escolar "Cônego João Pio". A cidade não tinha curso ginasial. Estudou com freiras francesas, trazidas para o município pelo médico Hildeberto Lellis, nos anos vinte do século passado. Em 1929, foi mandada para Viçosa/MG, estudar na Escola Normal Nossa Senhora do Carmo, em regime de internato.
Prestou exames de suficiência para o curso de normalista. Mesmo não tendo estudos regulares, conseguiu ser aprovada. Eram cerca de trinta candidatas, todas com o ginasial completo. Somente ela passou nos exames.
No mesmo ano ingressou no curso, terminado em 1931, como primeira aluna da turma.
Na volta de Viçosa para São Domingos do Prata, em viagem de caminhão o veículo sofreu acidente. O motorista era seu irmão. A jovem professora sofreu várias fraturas e ficou seis meses convalescente. Restabelecida, foi lecionar em Rio Piracicaba, para onde tinha sido nomeada.
Casou-se com José Mendes Vasconcelos, em 1938. Em 1942, com a aposentadoria do diretor do Grupo Escolar, foi indicada para a direção da escola. Na época era a mais jovem diretora de escola primária em Minas Gerais.
Em 1944 foi transferida para São Domingos do Prata. Em 1945, de comum acordo com o marido, resolveu mudar-se para Belo Horizonte onde pretendia continuar os estudos, cursando Administração Escolar no Instituto de Educação. A mudança era necessária, pois o esposo tinha um diagnóstico de uma patologia ocular, desde 1940, que poderia incapacita-lo. Ficou totalmente cego em 1951. Tinha quarenta e dois anos de idade.
Em Belo Horizonte cursou Administração Escolar em 1946/1948. Quando foi transferida para a Capital tinha quatro filhos. Em BH, nasceram mais dois.
No início de 1949 deixaram Belo Horizonte. D. Graciana tinha sido nomeada diretora do Grupo Escolar "Monsenhor Bicalho", em Alvinópolis/MG. A escolha coube ao marido em virtude de parentes e amizades no lugar.
Ficaram pouco tempo na cidade. Perseguições políticas (UDN x PSD ) ocasionaram a remoção da jovem diretora. Foi para Coimbra/MG. Cidade muito pequena, sem perspectivas fizeram com que o casal e os filhos e se mudasem para Itaúna, onde chegaram em fevereiro de
1951. Na cidade, assumiu a diretoria do Grupo Escolar "Souza Moreira", em Santanense.
Em 1956, por indicação do prefeito municipal Milton de Oliveira Penido, D. Graciana foi trazida para a sede do município, com a incumbência de implantar o Jardim de Infância "Ana Cintra", uma das primeiras escolas infantis do interior de Minas.
Ao mesmo tempo, assumiu a cadeira de Didática e Prática de Ensino na Escola Normal Oficial de Itaúna.
Na terra de Sant'Ana, trabalhou quase trinta anos ininterruptos. Lecionou para várias gerações e foi querida e cultuada por crianças e adultos. Entusiasta da profissão, dizia sempre que ensinar é arte e bons professores se formam no "assoalho da sala de aula". Nunca deixou de lado a Educação Continuada. Nas férias, fazia cursos de aprimoramento no Instituto de Educação em Belo Horizonte.
Em 1959, foi escolhida para um estágio de seis meses na Capital. Participou do PABAEE - Programa Brasileiro-Americano de Assistência ao Ensino Elementar. Eram quinze bolsistas, de todo o Brasil, sob a orientação da especialista mineira Magdala Lisboa Bacha e da americana do norte Louella Keithan. Declinou do convite para estudar por seis meses nos USA, em razão dos compromissos familiares. Desde a chegada da família em Itaúna, ela era arrimo da família em virtude da invalidez do marido.
Em 1981, ela e o esposo se mudaram da cidade, fixando residência em Belo Horizonte.
Graciana Coura de Miranda morreu em Belo Horizonte em 6/12/97. Seu esposo tinha falecido em janeiro de 1995.
Trabalhou quase meio século como funcionária pública. Nunca gozou férias-prêmio e nunca esteve de licenças, exceto aquelas motivadas por gravidez.


Texto: José Silvério Vasconcelos Miranda (Urtigão)




COLABORADORES:
José Silvério Vasconcelos Miranda (Urtigão)
Charles Aquino
Patrícia Gonçalves Nogueira
Prof. Luiz Mascarenhas



Um comentário:

  1. Quem esta destruindo nosso patrimônio? Não deve ser conterrâneo pois os Itaunenses amam Itaúna, sua Historia seus lugares.

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