terça-feira, novembro 20, 2012

Pe. Luiz Turkenburg


 Pe. Luiz Turkenburg

Presente de DEUS para Itaúna !

    Theodorus Maria Turkenburg, este é o verdadeiro nome do Padre Luiz. Theo (Deus) Dorus (presente) = presente de Deus. Expressa bem o que a comunidade itaunense sentia por ele: foi um verdadeiro presente para Itaúna. Holandês, nascido em Hillegon no dia 06 de Maio de 1926, filho de Nicolaas Gerardus Turkenburg e Alberdina Kroom Van Diest, ordenou-se sacerdote pela Congregação do Espírito Santo, em 20 de Julho de 1952. No ano seguinte veio para Itaúna. Inicialmente professor de música e canto no Colégio Santana. Regente de banda de música, pelas quais era apaixonado, ensaiava corais, compunha peças musicais e executava vários instrumentos, exímio pianista e organista, vibrava com os dobrados marciais. Na Holanda, obteve diploma de nível superior em um Conservatório Musical. Tão competente nessa área, que a pedido do Diretor, para suprir uma necessidade de ter um professor titular na Escola Normal, naturalizou-se brasileiro a fim de ser nomeado funcionário público e responder pela cadeira de Música e Canto Orfeônico. Graças a ele a Prefeitura de Itaúna doou um piano para o educandário. Grande sensibilidade, modelar ministro de Deus, semeou muito amor e colheu inúmeros admiradores e amigos entre alunos, professores e pessoas da comunidade. Em 1º de Janeiro de 1960, assumiu a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, no Bairro Padre Eustáquio. Ali fez desabrochar sua personalidade, mostrou todo o seu caráter e a bondade que sempre teve no coração. Revelou-se, ainda, ser um homem empreendedor, preocupado com as condições sociais de seus paroquianos, principalmente, pobres, doentes e crianças. Para estas dedicou esforços na construção de várias creches, escolas, como as da Vila Tavares, Padre Eustáquio e Várzea da Olaria. Desde que assumiu a Paróquia do Pe. Eustáquio, não parou de trabalhar. Na construção da Igreja Matriz do Bairro, ajudou a fazer massa para os pedreiros, carregou tijolos e latas de concreto, "bateu" laje, incansavelmente. Foram inúmeras obras. Para conseguir tantas melhorias em suas comunidades, Pe. Luiz teve que trabalhar demais. Não media esforços. Atuava como servente de pedreiro, pintor e, desta maneira, dava exemplo para a comunidade que o seguia. Envolvia todos num mutirão. Viam-se crianças, adultos e idosos colaborando. Era uma verdadeira festa a construção de uma nova Igreja, de uma nova Escola. Impressionante, ele sempre à frente de tudo Além das obras religiosas e educacionais, não se descuidava das caritativas. No Bairro Pe. Eustáquio fundou um refeitório que fornece alimentação gratuita para as crianças carentes. Nos fins de semana dá alimentação para toda a família dessas crianças. No local também funciona um gabinete dentário, mantido pela Igreja. Era responsável por aproximadamente quinze comunidades, dentre elas Várzea da Olaria, Irmãos Auler, Vila Tavares, Carneiros, Itatiaiuçu, Pinheiros, Santo Antônio da Barragem, Vieiros e Arrudas. Achava tempo para coordenar todas as obras, assistir religiosamente suas comunidades, celebrar missas, casamentos e batismos, visitar doentes e pobres, apoiar e promover reuniões de cursilhistas, de jovens, de casais, de todos os inúmeros movimentos de sua Igreja. Parecia biônico, nunca demonstrava cansaço ou irritação. Quando alguma coisa não o agradava, fazia silêncio. Depois procurava explicar o seu desagrado, com justificadas razões. Para conseguir fazer tantas coisas em tão pouco tempo, rodava pela cidade com uma velha "Lambreta", fizesse sol ou chuva. Ganhou um Fusca, da Holanda, o que veio facilitar sua maratona. Vicente Ventura, um dos grandes amigos do Pe. Luiz, diz  que muitas vezes ele ficou atolado nas estradas ruins por onde passava, e "voltava enlameado, mas feliz". Desde há alguns anos, vinha lutando contra uma dolorosa doença no maxilar, um terrível câncer que lhe corroía o físico, mas não abatia seu vigor intelectual e espiritual. Chegou a sair do Brasil, indo para a Holanda, fazer o tratamento e, segundo alguns, "viajou pra morrer em seu país". Os médicos deram-lhe três meses de vida. Quando ficou doente, recebeu a moléstia com tranquilidade, resignando-se ao árduo caminho que iria percorrer. Porém, a resignação não significou entrega. Pe. Luiz com esperanças redobradas em Deus, conseguiu suplantar os piores momentos de sua jornada. Surpreendentemente voltou ao Brasil com a doença sob controle. Para definir sua luta, e porque não dizer, seu triunfo sobre a doença, é importante relembrar uma afirmação do médico que o atendia em Belo Horizonte, citada por Dona Zulmira Antunes: "na sua cura entrou um pouco de medicina: o restante é algo que não se explica, algo divino, onde a ciência não entra". Na década de 90, continuou entre nós, trabalhando, como se nada tivesse acontecido, muitas vezes contrariando as recomendações médicas. A sua força de vontade, a crença em Deus, que o premiou com uma graça sublime, a de servir seus paroquianos, o mantinha vivo e atuante. Vê-lo alimentar-se através de uma sonda, como auxílio de uma dedicada paroquiana, enfermeira Maria das Graças, era um bálsamo para quantos, desesperados, não aceitam os desígnios da Providência. Debilitado pela doença, Pe. Luiz lia diariamente, celebrava (fazia a consagração), dava aulas de música, fazia ensaios do Coral. De vez em quando, "assustando" a todos que cuidavam dele, pegava o carro da Paróquia e punha-se a dirigir, principalmente para visitar doentes. Ele era muito amigo do Dr. José Campos, seu colega de magistério na Escola Normal, marido de Dª Alba Regina, esposa desse ilustre médico e professor. Dª Alba, em decorrência de diabetes, foi ficando cega. Padre Luiz escreveu-lhe, em 24 de Abril de 1993, uma carta consoladora, da qual extraio alguns trechos: "é uma cruz pesada que Deus reservou para a senhora e toda a família, sem dúvida! Mas com seus méritos, costumeira alegria e poder de comunicação, conseguirá aliviar o sofrimento. Seu problema, suponho igual ao meu, surgiu de repente, mudando profundamente nossas vidas. Temos agora muito tempo para refletir e descobrir que há outras pessoas sofrendo mais, nos dão grande exemplo e não perdem a vontade de viver, continuam participando e convivendo com a família e a comunidade. Rezo para a senhora, celebro missa na sua intenção e estou certo de que o bom Deus atenderá nossos pedidos, aumentando nossa alegria de viver dia após dia". Grande e Santo Padre Luiz. Em 1989, no 1º Encontro de Bandas de Itaúna, Pe. Luiz deu, mais uma vez, exemplo de força de vontade, de sua crença na vida, sua fé inabalável nos desígnios divinos, e regeu o "Bandão" (união de todas as Bandas participantes do evento), na Praça da Matriz, emocionando a todos. Compôs um Credo novo para a Paróquia. Em Outubro de 1991, teve suas músicas escolhidas para serem executadas no Congresso Eucarístico Internacional, na cidade de Natal. Na sua humildade, mandou as músicas sob pseudônimo, não quis se identificar, apenas colaborar para o maior brilhantismo do evento. Padre Luis Turkenburg completou 40 anos de sacerdócio em 20 de Julho de 1992, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, que lhe tributou as maiores homenagens pela dedicação com que dirigiu os destinos da Igreja no Bairro Padre Eustáquio. Pela Resolução nº 06/80, a Câmara Municipal de Itaúna concedeu-lhe o título de Cidadão Honorário, entregue solenidade ocorrida no dia 20 de Novembro de 1980. Faleceu em 23 de Junho d e 1994, deixando consternada toda a comunidade católica itaunense. Enterrado no cemitério local, teve seus restos mortais transferidos para a Igreja Matriz de sua paróquia. THEO-DORUS, nosso presente de Deus, foi para a Casa do Pai, aureolado de santidade. 

Texto: Guaracy de Castro Nogueira
Local Pesquisa : Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira - ICMC 
Digitalização: Juarez Nogueira Franco
Realização:Charles Aquino, graduando em História pela Universidade do Estado de Minas Gerais / FUNEDI - Campus da Fundação Educacional De Divinópolis.

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