Em 2015, foi publicada uma postagem sobre a tradicional “Queima do Judas” em Itaúna — uma
prática que marcou gerações e integrou o calendário cultural da cidade.
Passados alguns anos, revisitar esse conteúdo é também revisitar a memória coletiva. A “Queima do Judas”, comum em diversas regiões do Brasil no contexto do Sábado de Aleluia, está ligada simbolicamente à figura de Judas Iscariotes, associada à tradição cristã.
No entanto, seu significado ultrapassa o campo religioso.
Mais do que um
rito simbólico, essa prática se consolidou como uma manifestação da cultura
popular, marcada pela participação coletiva, pelo humor e, em muitos casos,
pela crítica social. Em diferentes épocas, a figura do “Judas” representava
personagens públicos ou situações do cotidiano, funcionando como uma forma de
expressão social e cultural das comunidades.
A imagem utilizada nesta publicação é inspirada na fotografia original da década de 1908, que retrata a Praça da Matriz de Itaúna/MG, importante registro da memória local. A igreja ali existente, posteriormente demolida em 1934, remete a um contexto histórico no qual práticas como a “Queima do Judas” possivelmente ainda integravam o cotidiano da cidade, ao menos nas primeiras décadas do século XX.
Hoje, essa tradição já não aparece com a mesma força em muitas localidades, o que torna ainda mais importante preservar esses registros. Mais do que uma simples encenação, tratava-se de uma prática que revelava valores, tensões e formas de sociabilidade de seu tempo.
Relembre a postagem original de 2015:
https://orcid.org/0009-0002-8056-8407

