sexta-feira, março 31, 2017

HISTÓRIA PHOTOGRÁPHOS EM ITAÚNA


HISTÓRIA DOS PHOTOGRÁPHOS EM ITAÚNA

Os trabalhos dos fotógrafos sempre contribuíram para registros históricos, disseminando a socialização na construção do indivíduo.
Segundo nos informa o historiador e pesquisador, João Dornas Filho, o primeiro photográpho a realizar trabalhos de “freelancer” em Sant’Anna do Rio de São João Acima, hoje Itaúna, foi o italiano José Gallotti no ano de 1885. (DORNAS, p.98). Seus trabalhos eram realizados na “Província de Minas Gerais”, cujo, o período de sua estadia era temporário nas cidades por onde percorria.
O photográpho Gallotti, para o tratamento de suas fotografias, utilizava o processo Gelatno Bromuro (Placa Seca) e Emolsion Gelatine (Filho, p.4).  Este processo envolvia uma placa de vidro, o qual, se coloca uma solução de brometo de cádmio, água e gelatina, misturados com nitrato de prata. O objetivo era melhorar a sensibilidade da placa seca já emulsionada, cujo, o tempo de exposição para fotografia seria reduzido e criando-se o conceito da Photographia Instantânea (George Eastman Museum). 
A técnica diferenciada de fotografia era inovadora e fez muito sucesso sendo aceito pelos seus clientes.  Nos cartões de fotografias, por trás, haviam marcas e logotipos:  Photographia Artística Italiana de J. Gallotti — Único processo inalterável a pousa instantânea — Emolsion Gelatine — Garantidos.
Ainda no ano de 1885, Manoel Marques da Silveira, Mariano José de Souza e Rogério Cândido de Andrade, do município de Bonfim/MG, expressaram “a mais perfeita estima e amizade” ao jovem Gallotti, escrevendo uma coluna para o jornal Liberal Mineiro, de Ouro Preto:
A César o que é de César
Esteve entre nós, por alguns mezes, o distincto photográpho, o sr. José Gallotti, moço que, a par de uma ilustração vasta e varidada, é senhor de uma educação, polidez, cavalheirismo e nobreza de caracter, que sobremaneira honrão a sua pátria, a terra de Dante; hoje uma das nações adiantadas e bem constituídas, a terra de vários gênios e honrosas tradições — a Itália. Não nos é possível descrever; entretanto, sem ofender a sua modéstia, permita-nos dizer, do alto da imprensa, que a impressão que nos causou, durante sua preciosa presença nesta cidade, é das mais gratas: esta impressão foi geral.
Tão bello é seo procedimento; tão cavalheiro e tão amável — que a todos inspira reaes sympathias; porquanto garantimos que, em qualquer parte que se achar, incontinente conquistará sinceras adesões e amizades, captando os corações de todos pelos laços do affecto e vivas sympathias.
Portanto, em qualquer parte que sua honrada profissão o levar, lhe pedimos que não se esqueça de seos amigos, os quaes, por esta forma, vimos protestar-lhe solemnmente a mais perfeita estima e amisade. Assim, pois, rendendo este público testemunho, apenas cumprimos um mandato que nossos corações, cheios de viva saudade e gratidão, nos impõem. Adeus, amigo Felicidades.
Bonfim, 14 de Junho de 1885.

No artigo sobre a expansão da fotografia em Minas Gerais no século XIX, Arruda (p.247) informa que: no ano de 1888, Gallotti chegava a cidade de Diamantina, anunciando seus trabalhos e informando sobre a qualidade do material fotográfico que possuía, o qual, eram bons e poderiam ser comparados com os da Corte e da Europa.
No acervo de fotos do Arquivo Público Mineiro, através da internet é possível acessar as fotografias que J. Gallotti tirou/revelou nos períodos de 1887 – 1890, em particular, um acervo fotográfico da família Joaquim Bernarda do Pompéu.
Depois dos trabalhos do photográpho J. Gallotti em Sant’Anna, surge Cícero Gonçalves Franco, photográpho e comerciante.  Integrante de uma numerosa família de irmãos — Ordália Gonçalves Franco, Olinto Gonçalves Franco, Democratino Gonçalves Franco, Cezostre Gonçalves Franco, Maria Augusta Franco, Ciro Gonçalves Franco, Modestino Gonçalves Franco, Vicente Gonçalves Franco e Avelino Gonçalves Franco.
Cícero Franco nasceu no distrito Sant’ Anna do Rio São João Acima, no ano de 1892 no dia 8 de maio e batizado no dia 27 pelo Vigário Antônio Maximiano de Campos. Foi registrado no dia 4 de julho no Cartório de Registro Civil, Folha nº140v, Livro nº 1, sendo seus padrinhos, o cel. Manoel Gonçalves de Sousa Moreira e Ana Gonçalves de Sousa. Filho do cel. Francisco Manoel Franco e Aurora Gonçalves Franco.
O jovem Cícero tinha sua residência situada à rua Direita, hoje Av. Getúlio Vargas,  no distrito de Sant’ Anna e foi casado com Ana Gonçalves Sousa Moreira, filha de Virgílio Gonçalves de Sousa Moreira e Custódia Gonçalves Sousa, no dia 14 de junho do ano de 1919, no Cartório de Registro Civil, Folha n° 95v, Livro nº 4, o seu falecimento ocorreu no dia 18 de fevereiro do ano de 1976.
Outros photográphos vieram e alguns permaneceram “fincando raízes” registrando a história de Sant’ Anna e de seu povo: Arthur Mauro, Brasilino Antônio da Silva, Benevides Garcia, Osvaldo, Antônio Gomes ...


REFERÊNCIAS:

FILHO, João Dornas. Itaúna: Contribuição para a História do Município, BH, 1936, p.98.
FILHO, Jorge da Cunha Pereira. Recanto das Letras: História, poesia e fotografia. Fóssil. Disponível em: <http://static.recantodasletras.com.br/arquivos/3948604.pdf >.
George Eastman Museum: The Gelatin Silver Print – Photographic Processes. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=iSBFrPWPS80 >.
Liberal Mineiro, Ouro Preto, ano VIII, n74, p.3, 25 de junho 1885.
 ARRUDA, Rogério Pereira de. A Expansão da fotografia em Minas Gerais: em estudo por meio da imprensa, 1845 – 1889. Disponível em:< http://dx.doi.org/10.1590/S0104-87752014000100011 >.
Instituto Cultural Maria Castro Nogueira: Genealogia da Família Franco. Orgs. Dr. Alan Penido, Aureo Nogueira da Silveira, Guaracy de Castro Nogueira (in memoriam).
Acervo Fotográfico: Instituto Histórico Pitangui -  IHP
Fotografia: Vandeir Santos / Charles Aquino

PESQUISA E ELABORAÇÃO: Charles Aquino, graduando em História pela UEMG/Divinópolis/MG, 7º período.

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