A
chegada do primeiro trem em Itaúna/MG em 1911: um marco celebrado com flores, música e
multidão
Convidamos
você a conhecer um dos momentos mais emblemáticos da história de Itaúna: a
chegada do primeiro trem à vila, um acontecimento que não apenas representou o
avanço da modernização e da conexão ferroviária com o restante de Minas Gerais,
mas que também foi vivido e registrado como um verdadeiro espetáculo popular de
alegria, orgulho e união cívica.
Embora alguns documentos indiquem que o primeiro trem teria chegado a Itaúna no ano de 1910, fontes impressas da época, como o jornal Pharol, de Juiz de Fora, em sua edição de 16 de março de 1911, registram com riqueza de detalhes que o marco histórico ocorreu no dia 8 de março de 1911. A matéria descreve com entusiasmo e precisão o impacto daquele dia na vida da população itaunense e na paisagem urbana da então vila recém-emancipada.
Naquela
manhã de março, o trem do lastro da Estrada de Ferro Oeste de Minas, conduzindo
o engenheiro-chefe dr. José de Berredo e acompanhado por famílias importantes
de das Estações Ferroviárias de Henrique Galvão (Divinópolis/MG) e Cajuru (Carmo do Cajuru/MG), fez sua entrada triunfal no local onde se
construía a estação de Itaúna. O cenário que se desenhou foi de comoção
coletiva: uma multidão estimada em dez mil pessoas se reuniu para saudar a
locomotiva com vivas aos nomes dos senhores Chagas Dória, Ministro da Viação, e
do próprio dr. Berredo. O som de três bandas de música, o estouro de foguetes e
os aplausos fervorosos criaram uma atmosfera de festa nacional.
Mas
o momento mais simbólico e encantador se deu quando a locomotiva foi coberta
por pétalas de rosas e confetes, lançados por um cordão encantador de moças e
meninas do grupo escolar, como se a modernidade fosse recebida com bênçãos
floridas e pura poesia popular. Era mais que uma recepção: era um ritual de
acolhimento, de reconhecimento da importância daquela conquista para a vida de
todos.
A
cerimônia seguiu com discursos públicos representativos: Santiago, como
porta-voz do Conselho Municipal, e Enéias Chaves, falando pelas classes
comerciais e jurídicas. Também tomaram a palavra o Reverendo Padre Manoel Maria
e o inspetor estadual Francisco Jota. Todos saudaram e homenagearam o feito da
chegada do trem como um símbolo de desenvolvimento e progresso.
Após
o desembarque, os convidados seguiram ao palacete municipal para um requintado
lanche, onde novos discursos celebraram o feito. Encerrando o evento, o chefe
político local e médico, dr. Augusto Gonçalves de Souza, elevou o brinde de
honra, sintetizando o orgulho do povo itaunense. À noite, a vila foi palco de
um elegante sarau, com a presença de oitenta senhoritas vestidas com apuro e
elegância, simbolizando o refinamento e a vitalidade de uma comunidade em plena
transformação.
Naquela
época, Itaúna era descrita como uma vila florescente, com cerca de 3 mil
habitantes, localizada na fralda da serra homônima, a 95 km de Belo Horizonte.
Contava com cinco fábricas — de tecidos, cerveja, sapatos, pregos, ferraduras e
manteiga — e já se preparava para a instalação da iluminação elétrica e de uma
nova tecelagem. Ou seja, a chegada do trem era apenas uma das engrenagens de um
ciclo promissor de industrialização e modernidade.
Convidamos
os leitores e leitoras a refletirem sobre esse momento singular da história
local, a partir do registro vívido e emocionante da imprensa da época. A
chegada do primeiro trem a Itaúna em 1911 foi muito mais que um evento
logístico: foi um ato simbólico, uma festa popular, um gesto de esperança no
futuro. Um dia em que a vila parou para celebrar a ferrovia como vetor de
transformação — e o fez com música, flores, discursos e fé no progresso.
Referência:
Elaboração
e pesquisa: Charles Aquino
Fonte: Jornal “Pharol”, Juiz de Fora, MG, quinta-feira, 16 de março de 1911, Ed. 60, p. 1.
Ilustração criada com IA, inspirada no conteúdo do texto.
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