CAPÍTULO 3
Este texto convida o leitor a ir além de uma leitura superficial dos dados apresentados e a observar, com atenção crítica, os vestígios documentais que revelam muito mais do que simples registros administrativos.
Ao percorrer as informações sobre os jornais da
imprensa itaunense no final da década de 1980, torna-se possível identificar
indícios de organização, alcance e até possíveis formas de monitoramento da
imprensa local em um período marcado por forte presença estatal sobre os meios
de comunicação.
A proposta aqui não é apenas
informar, mas provocar: que tipo de controle se exercia sobre esses veículos? O
que esses cadastros silenciam? E, sobretudo, o que eles deixam escapar? A
leitura do capítulo permite acessar essas camadas e compreender como a história
da imprensa também se constrói a partir de arquivos produzidos pelo próprio
aparato que buscava observá-la
Os Jornais da Tribuna Itaunense e Folha do Centro-Oeste nos registros das autoridades: o que revelam as Fichas dos Cadastros de veículos de Comunicação?
Esta série
analisa documentos históricos produzidos por órgãos de informação que
registraram dados sobre jornais da cidade de Itaúna nas décadas de 1970 e 1980,
revelando aspectos da estrutura e da circulação da imprensa local naquele
período.
A análise de
documentos produzidos por órgãos responsáveis pelo levantamento de veículos de
comunicação social revela que outros periódicos de Itaúna também aparecem
registrados nos arquivos administrativos do período. Além dos jornais já
mencionados nos capítulos anteriores desta série, as fichas consultadas indicam
a presença de informações detalhadas sobre publicações como o Jornal Tribuna
Itaunense e o Jornal Folha do Centro-Oeste.
Esses registros
fazem parte de fichas de cadastro elaboradas em 1987 por órgãos responsáveis
pelo levantamento de veículos de comunicação social em diferentes cidades. Os
formulários reuniam informações sobre denominação do jornal, data de fundação,
razão social da empresa editora, endereço da redação, tiragem, periodicidade,
área de circulação e nomes de integrantes das equipes editoriais. Esse modelo
padronizado de registro indica que o levantamento buscava reunir dados
sistemáticos sobre os veículos de comunicação em funcionamento naquele momento.
Entre os
periódicos documentados encontra-se o Jornal Tribuna Itaunense, fundado em 16
de junho de 1975 e vinculado à empresa Editora Gazeta de Minas Ltda.. O
endereço da redação aparece registrado na Rua Santana, nº 436, bairro Graças,
no município de Itaúna.
Segundo a ficha
consultada, o periódico tinha como diretor responsável Antônio de Freitas. A
equipe editorial incluía colaboradores ligados à produção jornalística, entre
eles Adolfo Osório Mendes Penido e José Raimundo Rodrigues, identificados como
colunistas, além de José Maria de Aquino, Hely de Souza Maia e José dos Santos
Pereira, mencionados como colaboradores.
Os dados
administrativos indicam que o jornal possuía periodicidade semanal, com oito
páginas por edição e tiragem aproximada de 1.500 exemplares. A área de
circulação registrada inclui os municípios de Itaúna, Itatiaiuçu e Mateus Leme,
indicando que o periódico possuía presença informativa concentrada na própria
cidade e em localidades vizinhas.
A documentação
registra ainda que a empresa editora contava com dois empregados e apresentava
situação financeira classificada como “boa” no momento da atualização do
cadastro.
Outro periódico
registrado nas fichas é o Jornal Folha do Centro-Oeste, fundado em 28 de junho
de 1986 e vinculado à empresa SICOM – Sistemas de Comunicação do Oeste de Minas
Ltda.
O jornal estava
sediado na Rua Silva Jardim, nº 367, no centro de Itaúna, e apresentava uma
estrutura editorial composta por diversos profissionais. O quadro societário
registra Alberto Libânio Rodrigues, Geovane Vilela e Silva e Lindair Vicente de
Rezende, que também desempenhavam funções na organização do periódico: o
primeiro como editor, o segundo como diretor comercial e repórter, e o terceiro
como diretor financeiro.
A ficha menciona
ainda outros integrantes da equipe editorial, entre eles Paulo Roberto Alves
Nogueira, identificado como jornalista responsável; Luciene Luzia da Silva
Ferreira, redatora; José Raimundo de Miranda Alves, responsável pela
diagramação; além de Maria Eugênia Teixeira Vargas, colunista social, e Adilson
Rodrigues, colunista de música.
Os dados
administrativos indicam que o periódico possuía periodicidade quinzenal, com
doze páginas distribuídas em dois cadernos e tiragem aproximada de 5.000
exemplares.
A área de
circulação registrada para o jornal é significativamente mais ampla que a de
outros periódicos locais, incluindo cidades como Divinópolis, Belo Horizonte,
Formiga, Pará de Minas, Mateus Leme e Itatiaiuçu, além do próprio município de
Itaúna.
Os documentos
registram ainda a existência de representantes regionais em diferentes cidades,
indicando a formação de uma rede de distribuição e representação comercial em
localidades como Belo Horizonte, Divinópolis, Formiga e Pará de Minas, além de
um representante responsável pela divulgação do jornal em âmbito nacional. A
documentação indica também que a impressão do periódico era realizada pela
gráfica do Diário do Comércio, em Belo Horizonte.
Fundados em
momentos distintos, os dois periódicos refletem fases diferentes da imprensa
local. O Jornal Tribuna Itaunense, criado em 1975, aparece com tiragem
aproximada de 1.500 exemplares e circulação concentrada em Itaúna e municípios
próximos. Já o Jornal Folha do Centro-Oeste, fundado mais de uma década depois,
em 1986, apresenta tiragem registrada de 5.000 exemplares e circulação mais
ampla, alcançando cidades importantes da região centro-oeste mineira.
A comparação
entre os dados registrados nas fichas sugere que, ao longo desse período,
alguns veículos da imprensa local passaram a buscar maior alcance regional e
estruturas de circulação mais amplas.
Observados em
conjunto, os registros documentais revelam diferentes momentos da imprensa
itaunense. Enquanto a Folha do Oeste, fundada em 1944, representa uma fase mais
antiga da comunicação local, periódicos surgidos nas décadas seguintes, como
Tribuna, Itaunense e Ita Vox, ambos fundados em 1975, e a Folha do Centro-Oeste,
criada em 1986 indicam a formação de um ambiente jornalístico diversificado,
com veículos que buscavam ampliar sua circulação e atuação na região.
Ao reunir
informações sobre esses jornais, incluindo endereço das redações, tiragem,
periodicidade e nomes de integrantes das equipes editoriais, os documentos
analisados acabam revelando não apenas dados administrativos, mas também
fragmentos importantes da história da comunicação em Itaúna.
Entre esses
periódicos, um dos que aparece com maior destaque nos registros consultados é o
jornal Folha do Oeste. Como já mencionado no primeiro capítulo desta série, o
periódico também figura em levantamentos realizados por órgãos de informação do
Estado. No próximo capítulo, novos documentos serão apresentados, permitindo
examinar com maior detalhe a trajetória e a atuação editorial do jornal naquele
período.
AQUINO, Charles
Galvão de Organização, arte e pesquisa. Historiador. Registro nº 343/MG.
Arquivo Nacional. Fundo: BR DFANBSB V8.MIC,
GNC.000.88013583.
Série: Cadastros de veículos de comunicação, p.21-22,22v. Dossiê. Disponível
em: https://imagem.sian.an.gov.br/acervo/derivadas/br_dfanbsb_v8/mic/gnc/ooo/88013583/br_dfanbsb_v8_mic_gnc_ooo_88013583_d0001de0003.pdf
Acesso em: 13 abr. 2026.
IMAGEM:
A imagem utilizada nesta publicação foi gerada por inteligência artificial, com finalidade exclusivamente ilustrativa. Trata-se de uma representação simbólica do contexto de vigilância, produção documental e atividade jornalística discutidos no texto, não correspondendo a registros fotográficos ou documentos históricos autênticos.
CONFIDENCIAL ITAÚNA (CAP 3) by Itaúna Décadas
https://orcid.org/0009-0002-8056-8407
