O crescimento populacional do
arraial de Itaúna, Minas Gerais, tornou necessária a construção de um novo
cemitério, substituindo o antigo, localizado no adro da Capela de Santana, no
alto do Morro do Rosário. Assim, surgiu o segundo cemitério de Itaúna, uma
notável obra de alvenaria de pedra seca, erguida pelos missionários Barbôneos
com o auxílio da população local.
A construção, que demandou
vários meses e mobilizou centenas de pessoas, seguiu um ritmo intenso. Logo ao
amanhecer, após as pregações matinais, os Barbôneos reuniam os fiéis e, em
procissão, dirigiam-se ao Morro da Lage para buscar as pedras que dariam forma
aos muros do cemitério.
Uma antiga lenda envolve sua
inauguração. Conta-se que a primeira pessoa ali sepultada foi uma criança,
filha de uma jovem solteira do arraial. Segundo a história, ao ouvir o pedido
do frei Eugênio para que o povo plantasse roseiras e outras flores no cemitério,
a moça, em tom jocoso, teria respondido: “A única roseira que tenho é esta” –
apontando para a criança – “e essa não plantarei.” Dois dias depois, a menina
faleceu, tornando-se, segundo a lenda, a primeira a ser enterrada no local.
No entanto, registros históricos
indicam que o primeiro sepultamento no cemitério de Frei Eugênio ocorreu em 21
de dezembro de 1853 e foi do escravizado Fortunato, pertencente ao Capitão
Felizardo Gonçalves.
Atualmente, o terreno onde
funcionava o segundo cemitério abriga a Escola Estadual Dr. José Gonçalves de
Melo, situada entre a Rua Tácito Nogueira e a Praça Mário Matos. A trajetória
desse espaço reflete o desenvolvimento urbano e histórico de Itaúna, evidenciando
como a cidade se adaptou ao crescimento populacional e às transformações
estruturais ao longo dos anos.
Em 1854, os Barbôneos deixaram Itaúna e seguiram para Carmo do Cajuru, onde continuaram suas missões e ergueram uma impressionante necrópole, perpetuando seu legado religioso e arquitetônico na região.
Referências
Pesquisa, Organização e arte: Charles
Aquino
FILHO. João Dornas. Itaúna:
Contribuição para história do município. 1936, p.30, 31, 32.
Acervo: professor Marco Elísio Chaves Coutinho