sexta-feira, março 30, 2018

PÁSCOA

QUO VADIS, DOMINE?

Prof. Luiz MASCARENHAS*
        
 O desejo de Deus está inscrito no coração do Homem, já que o Homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si, e somente em Deus o homem há de encontrar a Verdade e a Felicidade que não cessa de procurar. O aspecto mais sublime da dignidade humana está nesta vocação do Homem à comunhão com Deus. Este convite que Deus dirige ao homem, de dialogar com Ele, começa com a existência humana. Pois se o homem existe, é porque Deus o criou por amor e, por amor, não cessa de dar-lhe o ser, e o homem só vive plenamente, segundo a verdade, se reconhecer livremente este Amor e se entregar ao seu Criador ”. (Catecismo da Igreja Católica).

Para este Domingo da Páscoa do Senhor, início meus escritos com estas palavras, para nossa reflexão, retiradas do Catecismo da Igreja Católica. Primeiramente, vamos a uma rápida explicação sobre a data em que a Páscoa é celebrada. Como a Igreja marca a data do Domingo de Páscoa?

Bem, obviamente, ao falarmos em Páscoa, pensamos também na Páscoa do Povo Judeu, de Israel. A Páscoa Judaica (Pesach), que ocorre 163 dias antes do início do Ano Judaico, foi instituída na época de Moisés, uma festa comemorativa feita a Deus em agradecimento à libertação do povo de Israel escravizado pelo Faraó, o rei do Egito.
Esta data não é a mesma da Páscoa Cristã. O dia da Páscoa Cristã, que marca a Ressurreição de Cristo, de acordo com o decreto do Papa Gregório XIII, Inter Gravissimas,  em 24/02/1582, seguindo o primeiro concílio de Nicéia de 325 d.C., convocado pelo imperador romano Constantino; é o primeiro domingo depois da lua cheia que ocorre em ou logo após 21 de março , data fixada para o equinócio (instante em que o Sol, em sua órbita aparente - como vista da Terra -cruza o plano do equador celeste; ocasiões em que o dia e a noite duram o mesmo tempo) de primavera no hemisfério norte e outono no hemisfério sul;  ou seja, é equivalente à antiga regra de que seria o primeiro Domingo após o 14º dia do mês lunar de Nisan. Poderá assim ocorrer entre 22 de arço e 25 de Abril.

Porém, como pequena curiosidade histórica, o Calendário sofreu alguns ajustes...  Até o ano de 1582, usava-se na Europa o Calendário Juliano (em honra a Júlio César), baseado no Ano Solar. Contudo, o Calendário Juliano superestimava o ano solar em três dias, por quatro séculos. A contagem equivocada fez a Páscoa ser celebrada no verão europeu no séc. XVI. Em 1582, o papa Gregório XIII resolveu corrigir o erro e estabeleceu um novo Calendário, o gregoriano, em uso até hoje.

Os dias do ano foram limitados a 365 (366 nos anos bissextos) e foram “extintos” dez dias na contagem. Quem dormiu na noite do dia 4 de outubro de 1582 acordou na manhã do dia 15 de outubro, oficialmente. Esse fato gerou muita confusão e polêmica na Europa...algumas pessoas chegaram a fazer grandes passeatas contra o Papa, gritando: “ devolvam nossos onze dias...” pensando que se estava tirando onze dias da vida de cada um...
O Calendário, no entanto, não foi seguido por todos. Cristãos ortodoxos continuaram a usar o Calendário Juliano; como se usa na Igreja Ortodoxa Russa e Grega. Com tanta mudança, a Páscoa é hoje celebrada em datas diferentes por Judeus, Católicos e Cristãos Ortodoxos. Bem, independente de cronologias e Histórias...o que importa mesmo é que hoje para nós, é a Páscoa do Senhor!

O coração daqueles que creem e professam Jesus Cristo como seu Senhor, hoje está transbordante de alegria pascal.... Acompanhamos e refletimos sobre a sua Paixão no decorrer da Semana Santa. Agora, tudo se renova em Cristo. Tudo. O Universo, o Mundo, e nossas Vidas! Toda a Criação!  Vida Nova em Cristo; o homem velho, decaído pelo pecado, ficou para trás.

Mas, e o coração daqueles que não creem? Confesso que muito me entristeço ao me deparar com pessoas hostis ao Cristo, ao Evangelho e à sua Igreja. Para algumas pessoas a palavra “religião” virou sinônimo de algum coisa ruim, que prende, que escraviza, que oprime as pessoas...

Daí fico a refletir...porque a minha religião (e eu sou Católico Romano) não me faz e nunca me fez sentir assim. Onde está afinal o problema? Bem, penso que algumas pessoas tem uma visão completamente distorcida da Igreja.

Alguns ainda pensam que a Igreja Católica de hoje, é a Igreja da inquisição Medieval. Não conhecem a Igreja atual. E por isso, tem essa visão obscurecida, estagnada e totalmente anacrônica sobre a Igreja.
Outros veem apenas os aspectos negativos da Instituição. Ora, desde há muito tempo, a própria Igreja vem fazendo o seu mea culpa e tem procurado punir, corrigir e avançar naqueles pontos onde se errou...e como se errou! E ela –Igreja – como Instituição humana também, formada de homens, procura a cada dia otimizar sua Missão neste mundo.

Agora, outros são hostis devido às suas próprias experiências com o mundo da religião ou com sua própria vivência. Uma decepção ou desilusão com a Família –que muitas vezes não soube como transmitir e testemunhar os reais valores da Fé para a pessoa ou a própria pessoa, ao tentar buscar a Fé, lamentavelmente, esbarrou em um mau testemunho de alguma pessoa ligada à Igreja.

Daí esses maus entendidos ferem e marcam profundamente a pessoa pela vida afora, que passa até mesmo a odiar a religião e a ideia de Deus. Mas o que me entristece mais somos nós. Os crentes.

Por que é pelo nosso contratestemunho no mundo que afastamos as pessoas de Jesus e de sua Igreja. Somos muitas vezes, servos inúteis e ruins. Religião não é algo externo a nós e que se pratica, através da Liturgia dentro de nossas igrejas.

Nós devemos celebrar aquilo que vivemos e viver aquilo que celebramos. Reitero “n” vezes esse pensamento. O cristão deve ser cristão em todos os lugares onde vive e convive. Em casa, no trabalho, na escola, na rua, nos lazeres a que se entrega...enfim, se é cristão em sua Vida e não apenas em alguns momentos.
Isso não existe. Agora estou no templo, na Santa Missa, no período quaresmal ou na Páscoa...sinto-me tocado por toda essa atmosfera eclesial e pronto! Sou um cristão que vive o Evangelho.

Como católico, busquei o Sacramento da Confissão, participei das festas da Igreja e comunguei pela Páscoa da Ressurreição! Pronto, prontinho! Bati o ponto...estou em dia com minhas “obrigações” religiosas...Bem...neste aspecto até pode. Porém ele é insipiente por si só. Explico: não serão as práticas externas apenas e exclusivamente que farão de você um cristão.

No início deste texto eu citei o Catecismo: vocação do Homem à comunhão com Deus! Comunhão = comum união. A Comunhão Eucarística, sacramental, sublime e augusta lhe logrará seus magnânimos efeitos se....e se você estiver na plena comunhão com o Senhor, primeiro em seu coração, refletindo em sua Vida, em seus atos, em seu pensamento, em suas ações, portanto, a Sagrada Comunhão Eucarística não é um passe de mágica, mas antes uma Profissão de Fé gravíssima no Senhor Jesus! Em sua Palavra!

Tanto que na Santa Missa, a Mesa da Palavra precede a Mesa Eucarística! E você precisa estar em estado de Graça com o Senhor para recebê-lo na Sagrada Comunhão...caso contrário...tome muito cuidado...
Hoje é Páscoa! Ressurreição! Entenda que Deus lhe redimiu pelo próprio Sangue que jorrou pela cruz. E Ele o fez por amor a você. Você tem uma dignidade especialíssima...foi pago por Deus a preço de sangue...de Seu Sangue. E tudo isso foi feito por Amor.
Nós, ditos cristãos deveríamos pautar nossas Vidas no Amor. A Deus, a você mesmo e aos próximos e de tal modo, que sem dizer uma só palavra, todas as outras pessoas do Mundo iriam dizer...veja como eles se amam!

Não há injustiça no meio deles; não há fome no meio deles; não há miséria no meio deles; não há solidão no meio deles; não há desemprego no meio deles; não há caos na Saúde Pública no meio deles; não há pedofilia no meio deles; não há violência no meio deles; não há corrupção no meio deles; não há descaso com a Educação no meio deles; não há negociatas no meio deles...não há desamor no meio deles...

“Quo Vadis Domine? ” Aonde vais, Senhor? E Ele me respondeu: “Vou nas casas, nas escolas, nas lojas e indústrias...vou nas praças, nas favelas, nos hospitais, nas universidades...vou buscar o coração do Homem que está doente, árido, seco...vou falar de meu Amor por vocês já que vocês mesmos não tem tempo para mim e nem para o Amor...”

Que nesta Páscoa possamos nos abrir; sem medo, sem rancores, sem mágoas para o Amor de Deus. Precisamos nos desarmar, em todos os sentidos e nos abrirmos a esse Amor, que cura, salva e restaura.
Sorria meu irmão! Sorria minha irmã!

Hoje é o Dia que o Senhor fez para nós; alegremo-nos e nele exultemos! Cremos e professamos que o Senhor Jesus venceu o Pecado e a Morte!  É Páscoa; a grande passagem da escravidão do pecado e da morte para a Vida Eterna; Vida em plenitude em Deus!
E que amanhã também seja Páscoa...e depois de amanhã também e que seja Páscoa a cada amanhecer de nossas Vidas, até que, completamente mergulhados no Amor de Deus, possamos voltar a Ele com nossas mãos limpas e perfumadas pelo trabalho de cada dia sob o sol da Esperança!

Seja Feliz, você e os seus! Feliz Páscoa aos barranqueiros de Sant’Ana do rio São João!



*Bacharel em Direito / Licenciado em História pela UNIVERSIDADE DE ITAÚNA/ Historiador/ Escritor/ Membro fundador da ACADEMIA ITAUNENSE DE LETRAS/ Autor de “Crônicas Barranqueiras” e coautor de “Essências” e “Olhares Múltiplos”/ Diretor da E.E. “Prof. Gilka Drumond de Faria”/ Cidadão Honorário de Itaúna.


Acervo: Shorpy
Organização: Charles Aquino



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