domingo, julho 16, 2017

ITAÚNA: CIDADÃOS HONORÁRIOS 1962


CRIAÇÃO DO TÍTULO DE CIDADÃO ITAUNENSE

O Povo do Município de Itaúna, por seus representantes decreta e eu, em seu nome sanciono a seguinte lei:
Art. 1º — Fica criado o título de cidadão itaunense, a ser conferido as pessoas que não nasceram em Itaúna.
Art. 2º — Para a concessão do título, a Câmara de Vereadores designará uma comissão com a finalidade de estudar toda a vida do homenageado.
Art. 3º — O título somente será concedido à pessoa que tenha contribuído com o seu trabalho material e espiritual, para o bem de Itaúna.
Art. 4º — Poderá a Câmara conceder o título de cidadão itaunense a pessoa que tenha se projetado no cenário nacional.
Art. 5º — De nenhum modo será concedido o título de cidadão intaunense a pessoa que, não tenha contribuído de qualquer modo para o progresso ou bom nome de Itaúna.
Art. 6º — Revogadas as disposições em contrário, entrará esta lei em vigor na data de sua publicação.
Mando, portanto, a todas as autoridades que o conhecimento e execução desta lei pertencer, que a cumpra e façam cumprir como nela se contem ou declara.

Prefeitura Municipal de Itaúna, 22 de Maio de 1962
Célio Soares de Oliveira — Prefeito Municipal


PRIMEIRO TÍTULO CIDADÃO ITAUNENSE

O Povo do Município de Itaúna, por seus representantes decreta e eu, em seu nome sanciono a seguinte lei:
Art. 1º — Fica concedido o título de cidadão itaunense aos reverendíssimos padres Waldemar Antônio de Pádua Teixeira e José Ferreira Neto.
Art. 2º — Ficam reconhecidos os grandes benefícios que prestaram a coletividade itaunense.
Art. 3º — Revogadas as disposições em contrário, entrará esta lei em vigor na data de sua publicação.
Mando, portanto, a todas as autoridades que o conhecimento e execução desta lei pertencer, que a cumpra e façam cumprir como nela se contem ou declara.

Prefeitura Municipal de Itaúna, 22 de Maio de 1962
Célio Soares de Oliveira — Prefeito Municipal

JUSTIFICATIVA:

Muitos homens já passaram por Itaúna, construindo indústrias, edificando fábricas, modificando o aspecto de nossa urbs, elevando o nome de nossa cidade.
Muitos que não nasceram aqui, trabalharam para o nosso progresso e deixaram seus nomes ligados a diversos setores de nossa cidade.
No entanto, senhores vereadores, dois nomes estão definitivamente ligados a história de Itaúna e nos corações de todos os itaunenses — Pe. Waldemar Antônio de Pádua Teixeira e Pe. José Ferreira Neto.
O que fizeram?  Não há necessidade de enumerar, desde a casa do milionário a do mais pobre dos itaunenses, que seja patrão ou operário, intelectual ou trabalhador braçal, todos sabem.
Vestem o mesmo hábito e comungam os mesmos princípios, padres no verdadeiro sentido da palavra, verdadeiros mediadores entre Deus e os homens, vivem a aspergir sobre Itaúna as graças de Deus e criar entre seus filhos paz e harmonia.
Devemos –lhes em grande parte, esta nossa formação católica e temos certeza, a mocidade de Itaúna nesta época da J.T. deve grande parte de seus triunfos a estes dois homens de Deus.
Se nada tivessem feito de material, sem nenhum marco de pedra deixassem em nossas ruas, se nada tivessem feito para a beleza externa aparente de Itaúna, ainda assim seriam os seus nomes os mais dignos, os mais merecedores, para receberem o nome de cidadão itaunense.
Padre Waldemar Antônio de Pádua Teixeira: Uma lenda de santidade e todos os corações itaunenses — a nossa população já o considera santo que caminha por nossas ruas, entra em todas as nossas residências, sorri para todas as nossas crianças, conforta a todos os nossos doentes e ama a todos os itauneses, sendo mais itaunense do que muitos de nós que aqui nascemos. Ama Itaúna, ama seus filhos e ama sua história.
Padre José Ferreira Neto: Que dentro em breve dias, completará 25 anos de sacerdócio, cativa Itaúna inteira por sua simplicidade, por sua dedicação incansável a causa de Deus, vive de sua fé, trabalhando para Deus e para Itaúna. Quem não o conhece? Quem não o admira? Quem não sabe que sua vida é uma prece contínua de trabalho, de exemplo pairando sobre toda a cidade?  
Senhores vereadores, o título de cidadão itaunense não foi conferido ainda e é uma honra grande demais para ser conferida a qualquer um, mas, para representar a nossa gratidão a estes dois santos homens — Pe. Waldemar Antônio de Pádua Teixeira e Pe. José Ferreira Neto.
Por isso e pelo que todos os itaunenses sabem, ao ensejo das festas das bodas de prata de sacerdote do Pe. José Ferreira Neto, itaunense, por nosso intermédio, meu e desta Câmara de Vereadores, queremos demonstrar um pouco de nossa gratidão, a estes dois homens de Deus, fazendo – nos, pelo menos honorariamente filhos de Itaúna.
Nada mais justo, ao ensejo deste grande acontecimento da vida sacerdotal do Pe. José Ferreira Neto.
Assim o jugando, levamos a consideração desta Câmara o anexo do projeto de lei.

Itaúna, 22 de Maio de 1962
Dr. Célio Soares de Oliveira — Prefeito Municipal




Prof. Luiz MASCARENHAS

         Quando o Prof. Luiz Mascarenhas – colaborador deste blog- foi agraciado com este benemérito título – em 26 de setembro de 2015- ouviu-se uma palavra muito significativa do então Presidente da Câmara Municipal de Itaúna, autor da lei que concedeu a Cidadania Honorária ao professor; o  Vereador Francis José Saldanha Franco: “Se estivéssemos ainda ao tempo do Império, a Câmara  sugeriria ao Imperador a distribuição de títulos de nobreza para os cidadãos prestantes da municipalidade; na República eis a forma de homenageá-los’!
         Inegável a raiz católica de nossa gente e o nascedouro de nossa Cultura. A colonização lusitana trouxe, não somente o modelo administrativo e político, como o arquitetônico para nossas vilas e cidades e também a religião católica e muitos de nossos costumes, hoje sedimentados pela Tradição.
         Pensar-se em uma cidade interiorana no nosso país, logo salta-nos à mente a forma de nossas povoações...a Matriz, uma pracinha, o cemitério, um boteco e o campo de futebol....
         Pelas nossas ruas e praças a figura do padre sempre foi muito presente e popular. Há alguns anos atrás, o negro das batinas, empoeiras e gastas pelo uso cotidiano era muito frequente e coloquial no meio de nossa gente. Lá vinha o vigário, ostentando sua esvoaçante batina, guarda-chuva no braço, às vezes sobre a cabeça o “saturno” (um chapéu de formato arredondado, então de uso muito comum. “A bença seu vigário...” Crianças, mulheres, homens e autoridades. Todos com reverência e respeito lhe tomavam a benção. Era uma das autoridades constituídas das vilas e pequenas cidades. E cada um, com sua própria personalidade. Uns de proeminente oratória, outros mais piedosos, outros mais afeitos aos conselhos nas confissões...enfim, cada um sendo padre à sua maneira.
         Erros, pecados e deslizes são inerentes a todos os seres humanos – inclusive aos nossos vigários.
         Mas se percorrermos as cidades de Minas e do Brasil, sempre iremos nos deparar com a memória de algum padre.... Que dá nome a algum colégio, rua, praça ou ainda homenageado em bustos e placas comemorativas. Esses homens, reverenciados por alguns, amados por outros e incompreendidos por outros tantos, marcaram e marcam – não somente a vida religiosa do povo- a vida na Educação, na Assistência aos pobres e na Cultura.
         Itaúna não foge à regra. Muitos filhos foram padres. Mais de 30 ao longo dos anos. E tantos outros que nessas barrancas aportaram, deixaram aqui o suor de sua faina pastoral e causos e histórias que povoam o imaginário de nossa gente. Afinal de contas...o “conto do vigário”, a “mula sem cabeça” e a “mulher do padre” são expressões – embora jocosas- mas que demostram bem a indelével marca que estes homens de Deus assinalaram no meio do povo que conviveram e convivem.
         Aí estão dois desses...Pe. Waldemar e Pe. Zé Netto. Um “levitava” pelas nossas ruas, praças e residências. O outro- enérgico e de pulso firme, ajudou a construir uma Itaúna que com certeza, já foi mais humana e pitoresca. E estão por aí, ainda muito vivos na memória do povo barranqueiro!



REFERÊNCIAS:
Colaboradores: Charles Aquino, Prof. Luiz Mascarenhas, Patrícia Gonçalves Nogueira.
Pesquisa: Charles Aquino e Patrícia Gonçalves Nogueira.
Organização: Charles Aquino
Revisão: Prof. Luiz Mascarenhas
Texto: Prof. Luiz Mascarenhas
Acervo Documental: Câmara Municipal de Itaúna
Acervo Fotográfico: Fotógrafo Antônio Gomes, Prof. Sérgio Machado
Foto Ilustração: Veja Folha e Charles Aquino


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