domingo, junho 25, 2017

ITAÚNA: VENDAS & ARMAZÉNS


Há tempos, escrevi neste espaço sobre os barbeiros da cidade, na minha época. O texto, suscitou polêmicas. Deixei de relacionar alguns e não foi de propósito. Escrevi sobre os barbeiros que cortaram meu cabelo e com os quais tive conhecimento. O titular do blog ficou de corrigir a falha, tendo inclusive, como bom historiador que é, feito uma gravação com dois dos esquecidos e publicar alguma coisa sobre eles. Escrevi também sobre os sapateiros. Nada de polêmica. O ofício, quase desaparecido, não deixou herdeiros no lugar.
Faço o preambulo, na quase certeza de esquecer alguma "Venda" e deixar o espaço para acréscimos, se necessário. Na época em que vivi na cidade, nos anos cinquenta e sessenta do século passado, Itaúna tinha quatro armazéns de secos e molhados, os quais passo a enumerar.
O principal e mais frequentado do lugar era o armazém do SEVERINO LARA. Ficava na travessa "Arthur Vilaça" bem próximo do sobrado de jardim e varanda do Coronel do mesmo nome e que deu batismo a pequenina rua. Severino era natural de Itaguara e comprara o "negocio" do Joaquim Português. Era genro de Seu Arthur e tinha dois filhos, Arthurzinho e Magda. O filho foi meu amigo. Grande ou até maior do que o pai, morreu de forma trágica. A filha, foi minha colega de ginásio. Casou-se com um militar de sobrenome Rocha. Nunca mais os vi. Severino, homem bom e prestativo também morreu prematuramente. Fui no velório e enterro.
Tinha também o armazém do ZÉ ROSA. Na rua Gonçalves da Guia, bem próximo do Grupo de Cima. Era atacadista e pouco vendia a varejo. Lembro-me do seu endereço telegráfico. JOROSAN - sigla tirada do nome do dono: José Rosa dos Santos.
Pelas bandas da Lagoinha, tinha o Armazém do ADOLFO MENDES. Negócio sortido e procurado. Adolfo Mendes era irmão do Sinho Mendes, padeiro e tio da escritora Maria Lúcia Mendes.
Quase na Praça da Estação, debaixo de um belo sobrado, tinha o Armazém do ATÍLIO PRADO. Acho que ele era português. Creio que vendeu o estabelecimento para o Messias Assis, que anos depois mudou de endereço e rebatizou o negócio para Armazém ASSIS.
As VENDAS eram mais numerosas. Bem na entrada da cidade ficava a venda do Serafim. Na rua Silva Jardim, logo abaixo do Grande Hotel. Era tradicional e vendia de quase tudo, incluindo carne de porco e toucinho.
No caminho da Casa de Caridade tinha uma Venda. Na beira da estrada de ferro, logo depois da travessia. Não sei e nunca soube quem era o dono. Na rua XV de Novembro, lembro-me de duas Vendas. A maior e mais sortida era a Venda do ZÉ JORNAL. Pai do Roberto Jornal e do Xele. Mais para frente, na esquina da rua João Dornas, em frente ao Campo vermelho, tinha a Venda do JUCA. Quando criança ia sempre lá, buscar cachaça para meu pai curtir pimenta.
Na rua direita, em frente à casa de meus pais, ficava a Venda do JOSIAS. Pai de muitos filhos e filhas. De poucas palavras, sempre ensimesmado. A Venda era na frente de sua residência. Vendia até nos domingos, mesmo com as portas fechadas. Bastava chama-lo, no alpendre. A exceção ficava para a sexta-feira da paixão. Não vendia nada, nem para a família. Não atendia nem caso de vida ou morte. Questão de princípios.
A outra venda ficava lá no caminho do MIRANTE. Não me lembro de quem era. Sei que existia porque bebi pinga por lá e também comprava foguetes.
Em Santanense, tinha a Venda da CASA DO POVO, do pai do Dinarte. Morreu cedo. Sua mãe, viúva, tocou o negócio durante muitos anos. Criou o filho e ajudava muita gente. Mulher trabalhadora e exemplar, travou amizade com minha mãe na época em que trabalhou no bairro.
De outras, não me lembro. Aliás, lembrei-me agora do Armazém do SAPS - Serviço de abastecimento da Previdência Social. Ficava debaixo do Automóvel Clube, já na rua Capitão Vicente. Coisa de governo, criação de Getúlio Vargas. Por lá trabalhou o Tiaca, excelente figura e bom amigo. Como sempre acontece com as coisas do governo, mudou de nome. Trocado para COBAl. Não demorou a fechar.


*Urtigão (desde 1943) é pseudônimo de José Silvério Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nas décadas de 50 e 60. História enviada especialmente para o blog Itaúna Décadas em 25/06/2017.

Acervo fotográfico: Fabinho Augusto. Disponível em: http://historiaderolandia.blogspot.com.br/2013/12/vendas-antigas-do-norte-do-parana-n-3.html .

Fotografia meramente ilustrativa.



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