segunda-feira, maio 15, 2017

EXCLUIR E BLOQUEAR: TOLERÂNCIA ZERO

 Prof. Luiz MASCARENHAS* 
   
         Tolerância tem sido a bandeira de muitos. Entretanto, é o que menos se vivencia no mundo atual. Nas redes sociais – terra de ninguém- o tão decantado individualismo tem alcançado nível alfa.  Primeiro, existe a possibilidade de se excluir. Assim, sem maiores delongas. Não agrada? Exclui-se. Exclui-se um comentário ou até mesmo o “amigo” virtual... E não dado por satisfeito, outro mecanismo permite o ápice da exclusão:  bloquear. Como se pudéssemos “deletar” o outro da face da Terra.
         Em uma primeira análise, poderá parecer apenas uma atitude inofensiva- parte de uma “brincadeira” virtual. Contudo, o ato do brincar reproduz a vida real. Foi sempre assim. A criança brinca reproduzindo o mundo dos adultos e ao qual um dia será inserida.
         Passamos a agir – sintomaticamente- no nosso cotidiano, da mesma forma que – na busca pelo nosso “sacrossanto” individualismo e na intolerância virtual - agimos todos os dias diante das telas de nossos aparelhos eletrônicos... seja o ipod, iphone, o celular ou o pc.
         Atitudes simples no mundo virtual que se revelam torpes e destituídas dos mais caros valores que a Humanidade buscou construir durante milênios – como a fraternidade e a solidariedade entre os homens.
         Eu, eu, eu, eu,... Cada vez mais preocupados consigo mesmos. Esses são os seres humanos do atual mundo em que vivemos. O que, em certa medida, poderia fazer unicamente bem a cada um, está tornando-se uma mazela sem precedentes. O que EU quero, o que EU desejo, o que EU sonho, porque EU mereço...o individualismo ganha enormes proporções e não para de crescer na sociedade atual.
          A internet e o isolamento que produz (por trás da ilusão de uma vida social intensa que as redes “sociais”-  tão populares - oferecem), o mundo capitalista e a necessidade de se destacar dentro dele e o afastamento de conceitos de fé, família, vida em comunidade, enfim, várias são as razões que levam o ser humano a cada vez mais pensar apenas em si mesmo. Inclusive a deturpação da religião cristã salta aos olhos. O que tinha por base a fraternidade e a vida comunitária, hoje se torna um show de milagres para se nutrir o mais sombrio individualismo e não é necessário ser um teólogo para apurar-se esta grave deformidade.
         Historicamente não é uma característica exclusiva da sociedade atual, mas dentro dela, tem ganhado dimensões nunca antes vistas. E esse exagero de individualismo pode ser a raiz dos nossos maiores problemas. Quem para pra pensar no outro? Para refletir o verdadeiro sentido de companheirismo, amizade? Quem enxerga o problema do outro como sendo seu problema também? Infelizmente...poucas pessoas. O individualismo exagerado gera problemas pessoais e que se refletem no coletivo da Sociedade. Indivíduo doente, sociedade doente. Dificilmente uma pessoa que pensa, em maior parte, em si mesma, sabe o verdadeiro valor de uma amizade, vibra com as conquistas do outro, tem com quem compartilhar   suas próprias conquistas; não conhecem os melhores, maiores, mais puros e verdadeiros sentimentos.
         E esse individualismo exacerbado gera nossos maiores problemas sociais. Pensar no outro, é também, questão de cidadania.  Não é a corrupção a falta de empenho e preocupação dos governantes com os problemas da população? E a violência gratuita? Qual foi a origem de tantas guerras, tantas mortes que o mundo viu? A resposta é uma só: a consequência é o individualismo, o egoísmo. E engana-se aquele, que pensa que ao ajudar alguém está sendo bom. Você está apenas cumprindo seu dever de cidadão. O problema é que cumprir esse dever - que deveria ser algo comum - hoje é tão raro, que se tornou virtude para os que assim o fazem. E tudo isso independe de religião ou crença em algo sobrenatural. Trata-se tão somente da consciência cidadã que se abre para os problemas do outro. Uma Sociedade jamais poderá ser plenamente feliz se algum de seus membros estiver na infelicidade; seja material ou não.
          Portanto, ao invés de se fazer o bem, “barganhando” um lugar no céu, pode-se e deve-se fazê-lo pela paz na Terra.



* Bacharel em Direito / Licenciado em História pela UNIVERSIDADE DE ITAÚNA
Historiador/ Escritor/ 1º Secretário da ACADEMIA ITAUNENSE DE LETRAS/
Autor de “Crônicas Barranqueiras” e coautor de “Essências” e “Olhares Múltiplos”/
Diretor da E.E. “Prof. Gilka Drumond de Faria”
Cidadão Honorário de Itaúna


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